.::Uma nova visão::. – Computação nas nuvens

17 11 2008

Introdução

Como a sensação do mercado, a computação nas nuvens é a expressão do momento. Juntamente a virtualização, é apontada como a nova revolução no relacionamento entre usuários, computadores e serviços de tecnologia.

Empresas como IBM, Amazon, Google, HP, Microsoft e AT&T estão investindo fortemente nessa nova tendência e buscando formas de criar serviços e fornecer novos recursos que possam sem amplamente comercializados.

Conceito

Há uma grande discussão sobre a definição do que é computação nas nuvens. Segundo Daryl C. Plummer, vice-presidente do grupo Gartner, trata-se de “alguém vai assumir a responsabilidade de entregar algumas funções de TI como serviços para alguns clientes e eles não precisam saber como funciona, eles simplesmente usarão”.

Diferentemente de uma tecnologia que surgiu de um momento, a computação nas nuvens avança a mais de 30 anos em diferentes linhas de conhecimento. Hoje ela é a somatória e correta aplicação do andamento das mais novas tecnologias como SaaS (Software as a Service), sistemas distribuídos e alta velocidade de comunicação e transferência de informações devido a popularização da banda larga.

Abaixo, uma demonstração da infra-estrutura da computação nas nuvens. Observe que ela é composta pela interface de interação do usuário, sistemas gerenciados, provisão de ferramentas, catálogo de serviços acessíveis e monitoramento. Através da interface de interação, os serviços são acessados baseados no catalogo disponível. Esse catalogo é gerenciado por um sistema que prove recursos para o acesso no servidor, que é monitorado para alocar somente o que a solicitação necessita e fornecer a resposta mais rápida para a requisição. Nessa solicitação, o usuário não necessita saber onde a aplicação está inserida dentro da nuvem e sim obter o catalogo de serviços o mais rápido possível e acessá-lo quase instantaneamente.nuvem_wiki

Alguns autores acreditam que a computação nas nuvens é a melhor aplicação e utilização dos recursos de tecnologia. Eles são alocados conforme a correta necessidade, sem que haja um super dimensionamento ou perda do investimento realizado. Uma utilização de processamento, disco, memória, e-mail, internet etc. analoga à utilização de energia elétrica, gás ou água.

Dessa forma, uma empresa pode alocar ou vender seus recursos de processamento conforme a necessidade, sem se preocupar com perdas do ROI (retorno sobre o investimento) e pagar somente pela exata utilização feita pelos seus serviços dentro da nuvem.

No Brasil, empresas como a Locaweb já fornece os recursos da computação nas nuvens disponibilizando aos clientes total controle sobre o equipamento utilizado podendo ele mesmo montar o que deseja de recursos no site da empresa e enviar uma solicitação.

Discussão sobre a tecnologia

Surgindo como uma resposta aos altos custos de manutenção de equipamentos e equipes técnicas especializadas, a computação nas nuvens propõe uma revolução na interação entre usuários e serviços. Tudo estaria na grande nuvem e seria mantido por uma empresa que é a responsável por manter a infra-estrutura operacional. Além disso, empresas com projetos que possuam um alto custo de aquisição de hardware ou com picos sazonais de utilização, poderiam alocar serviços na grande nuvem somente para a sua necessidade. Dessa forma, por exemplo, na edição de um vídeo, uma empresa de propaganda e marketing poderia alocar esse serviço na nuvem e pagar somente por esse trabalho, não sendo necessária a aquisição de softwares específicos ou um novo hardware.

Segundo Nicholas Carr, autor do livro “The Big Switch: Rewiring the World, from Edison to Google”, a computação nas nuvens acabará com a maioria das equipes de TI corporativa, “Os departamentos de TI não terão muito que fazer depois que a computação corporativa migrar de data centers privados para a ‘nuvem“.

Escalabilidade, redução de custos, maior retorno sobre o investimento e utilização ideal dos recursos são os grandes pilares da computação nas nuvens. Entretanto, há barreiras ainda para que essa tecnologia realmente

Segurança, latência e nível de serviço são os grandes pontos que preocupam as empresas ao optarem pela computação nas nuvens. Um profundo conhecimento sobre como a nuvem é gerenciada e como as informações são mantidas são preocupações de grandes empresas. Como as aplicações legadas serão migradas para a nuvem? E como expandir serviços da computação nas nuvens em uma cultura já então consolidada? São desafios que o desenvolvimento de novas tecnologias anexas a computação nas nuvens terão que responder.

A garantia do serviço é outro ponto problemático. Com todas as aplicações dentro de uma nuvem que o cliente não sabe onde está e como é gerenciado, como garantir um correto SLA (Service Level Agreement)?

Alguns aplicativos necessitam de hardware especifico e aplicações como banco de dados podem ter problemas de latência quando inseridos na nuvem, tornando inviável alguns serviços na nuvem.

Mesmo com todos esses desafios, a computação nas nuvens é apontada pelo instituto Gartner como a tecnologia estratégica a ser observada no ano de 2009 pelos CIOs da grandes corporações, juntamente com o TI verde.

Apontado por alguns analistas como o grande precursor da computação nas nuvens, para o Google ela representa “reunir um grande número de computadores para permitir que pesquisadores em campos de computação intensiva, como pesquisa médica e de segurança, façam cálculos massivos”. Serviços como o Gmail, Google Docs e toda a plataforma Google Apps representam a aplicação e uma oportunidade dos serviços nas nuvens que já são comercializados para clientes corporativos pela Google Inc.

A Amazon foi a pioneira mundial na comercialização da computação nas nuvens. Com o conceito Elastic Computer Cloud (ECC), a empresa iniciou a comercialização dos seus poderes computacionais que ficavam ociosos fora da alta temporada de compras do site, podendo fornecer seus recursos de processamento, storage e memória para clientes interessados que pagariam sob demanda conforme a sua necessidade.

A Microsoft também já iniciou o lançamento da sua plataforma nas nuvens: Windows Azure. Ainda em fase inicial, fornecerá serviços no datacenter da Microsoft para empresas utilizam as suas ferramentas como o Microsoft .NET ou Microsoft Share Point para desenvolver em uma arquitetura aberta serviços, reduzindo o custo para essas companhias na aquisição de hardware especifico e fornecendo escalabilidade e interoperabilidade de seus sistemas legados.

Veja abaixo, a demonstração de como é estruturada essa nova plataforma. Os serviços operam sobre a nova plataforma criando uma completa integração entre todos os produtos e serviços, possibilitando ao cliente manter aplicações que sejam legado.

azure

Vai rolar?

A computação nas nuvens é a nova sensação do momento. No entanto, barreiras culturais e técnicas ainda existem. A convergência entre ferramentas e a disponibilidade dos recursos criam uma forte tendência para que essa tecnologia rapidamente seja utilizada em larga escala.

As suas vantagens são inúmeras, mesmo sendo o seu conceito ainda indefinido, as aplicações e a sua utilização já é uma realidade no mercado corporativo.

Ainda é necessário, no entanto, que mecanismos sejam criados que garantam a segurança dessas informações armazenadas e trafegadas dentro da nuvem e que sejam desenvolvidas novas formas que garantam um acesso completo a esses dados a todo o momento e em todo lugar. Uma mobilidade ainda maior?

Por Luciano Tadeu – 17/11/2008


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